Quem é este que ressuscita na Páscoa?
- Valdemir Pires
- há 6 horas
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Outra vez Páscoa. Dia de dizer que Jesus ressuscitou novamente ou dia de lembrar o dia em que ele, há aproximadamente dois milênios, voltou à vida depois de ter sido assassinado por alguns daqueles com quem conviveu, após infame traição? A escolha varia conforme a fé ou a ausência de fé de cada um. Assim como varia a resposta à pergunta: quem foi Jesus?
Ao se referir a Jesus no passado (quem foi) já se incorre numa escolha, pois fica implícito que ele já não é. Ora, se ele “ressuscitou e está sentado à direita de Deus Pai”, ele não foi, ele é, e para sempre será. Ou seja, em vez de histórico, ele é a-histórico, transcendental.
Que cada um escolha de acordo com sua fé e a profundidade (e natureza) de suas crenças e de sua capacidade de lidar com a transcendentalidade. Mas que a ninguém escape o fato de que, seja como for, Jesus é, sim, a mais completa tradução de Deus em seu atributo bondade e despojamento. Jesus é a face visível da vida celestial/paradisíaca cujo desejo ilumina os melhores caminhos para a inevitável convivência dos homens entre si. É a base da mais profunda e eficaz Ética de que jamais pudemos senão nos aproximar.
Assim, desejar Feliz Páscoa a alguém deveria corresponder a afirmar: que a ressureição, em seu coração, do ideal de fraternidade universal possa ser acolhida uma vez mais, depois dos desvios quotidianos que você e todos nós praticamos.
A Páscoa é um momento de refletir sobre as possibilidades e dificuldades para que a vida em sociedade se paute, tanto quanto possível, pela fraternidade entre aqueles que são filhos de um único Pai, mirando-se no exemplo do seu melhor Filho, novamente assassinado a cada repetição de um ato ou gesto de mau trato ao próximo; mas também ressuscitado a cada ato ou gesto praticado na direção do respeito ao outro, da solidariedade com os que dela necessitam, por razões materiais ou imateriais. E isso, se tem a ver com Jesus enquanto a mais completa tradução de Deus, tem pouco a ver com religiões institucionalizadas: está mais para o saber viver – algo de que temos muito nos afastado, caminhando cada vez mais na direção da guerra, esta que é a mais completa tradução do inferno e de seu legítimo proprietário.




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