A questão existencial fundamental
- Valdemir Pires
- 11 de abr.
- 2 min de leitura

Quem é você quando não está simplesmente “biologizando”: respirando, ingerindo alimentos, digerindo alimentos, expelindo rejeitos da nutrição, assegurando a perpetuação da espécie? Ou seja: quem é você quando vai além da natureza e adentra a cultura?
Quem é você quando não está simplesmente sobrevivendo ou assegurando a sobrevivência dos seus: garantindo o que é necessário para comer, beber, dormir, abrigar-se, locomover-se, curar-se quando necessário? Ou seja: quem é você quando os seus fazeres não são os voltados para a manutenção da existência e das condições de funcionamento do(s) corpo(s), com mais ou com menos conforto que o desejado?
Quem é você quando não está simplesmente querendo provar algo a alguém: buscando ser conhecido, reconhecido, aplaudido – talvez por não se sentir amado ou sentir-se insuficientemente querido? Ou seja: quem é você quando é capaz de não ter que provar nada para ninguém?
Quem é você quando não está simplesmente existindo e, então, passa a ser algo, talvez mais do que alguém? “Existirmos a que será que se destina?”, perguntou Caetano em Cajuína (1979), percebendo ou não que se trata da questão existencial fundamental.
Será que ir existindo vida afora é o destino da vida, e, então, existir e ser são uma e mesma coisa, isso bastando?
Será que observar aquilo que pensamos, desejamos e fazemos, e que vai além de simplesmente “biologizar”, sobreviver e nos provar para os outros, não abre uma janela (ou comporta) para pelo menos tentar vislumbrar um caminho com paisagem distinta (melhor ou pior, há que se ver) daquela a que o mecanismo biológico e o hábito sociocultural homogeneizante nos conduzem (ou condenam?)?
Não é possível aceitar com tranquilidade que existirmos se destina a repetirmo-nos, principalmente quando é sabido que a repetição continuada não tem levado ao melhor que podemos sonhar.
Quem é você quando acabou de me ler, aqui? Mais um ou mais uma que estranha tanta pergunta que (como achou enquanto lia) não leva a nada, ocasionando perda de tempo (seja lá o que a palavra tempo significar?)? É você, por acaso o não, mais um ou uma pessoa para quem as questões existenciais servem apenas para perturbar a existência, ou seja, alguém satisfeito em ser o que é, mesmo que lhe venham a lhe dizer que você não é, apenas existe?
(O ser que não pergunta está muito próximo da ameba e extremamente distante de Deus - exista Ele ou não.)




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