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Mercado financeiro e guerra: ganhar ou perder

  • Foto do escritor: Valdemir Pires
    Valdemir Pires
  • 26 de abr.
  • 3 min de leitura

Imagem: Wix
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Estratégia é uma expressão relacionada à guerra, como se sabe. Ela é muito apropriada para tratar, também, de aplicações financeiras. Pois em ambos os casos há que se encarar campos de batalha, em que vencer ou perder são as únicas possibilidades que se apresentam - uma positiva, desejada; outra negativa, a ser evitada. Há outra semelhança imediata, ainda, entre a lida com a guerra e a lida com o mercado financeiro: em ambas, quanto maior o tempo de exposição, maior a possibilidade de, em alguns momentos, colher derrotas, por melhor que seja o combatente.


Equiparar a movimentação de recursos financeiros ao combate militar exige entender que vencer e perder são dados da realidade. Assim, da mesma forma que vencer uma guerra é algo que pode ser feito perdendo-se algumas batalhas nela implicadas, obter sucesso nas aplicações financeiras é conseguir ganhos líquidos satisfatórios ao fim de um processo em que ganhos e perdas se fazem presentes. O fundamental para o general e para o aplicador é a sagacidade que permite bater em retirada ou adentrar o terreno na hora certa; manter posição ou abandonar o posto. Por exemplo: se alguém perde R$ 20.000,00 na Bolsa de Valores depois de manter determinadas ações por 12 meses, precisa, no período seguinte, recuperar esse valor mais o que deixou de ganhar com ele. Ou fica de tocaia, esperando a revalorização; ou muda de papéis; ou combina as duas estratégias.


A diversificação de carteira (manter posições em diferentes tipos de papéis) é uma estratégia muito usada para diluir risco. Se, por um lado, pode reduzir os ganhos potencias, por outro, evita maiores perdas. Mas há quem diga que acender uma vela para Deus e outra para o diabo pode deixar o pecador em maus lençóis com os dois. Assim, cada um deve avaliar o risco que deseja correr e, se for o caso, pode, apesar de estar na contratendência, apostar alto em uma única posição. Para isso, precisa ser um combatente com muita perícia, porém. Gente da infantaria não deve se meter com artilharia ou cavalaria.


No mercado de ações há duas abordagens predominantes com respeito ao que deve ser considerado o melhor caminho para obter ganhos: o fundamentalismo e o grafismo. O fundamentalismo defende que as melhores ações são as que são frações do capital de empresas sólidas, com boas posições de mercado, com boa gestão, boas pagadoras de dividendos. O grafismo reza que é possível ganhar sem se ligar a uma empresa, bastando comprar na baixa e vender na alta, de acordo com as indicações que podem ser obtidas em gráficos que monitoram o sobe-desce do valor de mercado dos papéis, ao longo de uma série histórica.


Cada uma dessas abordagens está voltada para diferentes estratégias de aplicação em Bolsa de Valores: numa (fundamentalismo), ganha-se mantendo uma carteira bem montada e mantida por longos períodos (o que garante, inclusive, tirar maior proveito dos dividendos); noutra (grafismo), ganha-se comprando e vendendo todo dia, semana ou mês. Diversificar, nesse caso, seria compor uma carteira com ações de longo prazo (para acumular) e de curto prazo (para especular). E essa estratégia pode ser aprofundada comprando-se, além de ações, papéis representativos não somente de frações do capital (ações), mas também representativos de dívidas (debêntures). Pode-se, ainda, adquirir debêntures conversíveis em ações, de acordo com a conveniência da conjuntura.


Se somente no mundo das aplicações em empresas as estratégias podem ser muitas, ao considerar todo o universo de modalidades de aplicações (títulos públicos, títulos imobiliários, títulos de valor futuro de mercadorias, títulos cambiais e derivativos) chega-se a uma multiplicidade de possibilidades que beira o infinito. Lidar com todos é coisa para general de muitas guerras ou para um exército inteiro bem articulado e comandado. É aí que entra a estratégia, um arte que combina o conhecido com o imponderável e não existe sem algum grau de aposta, de sorte e azar.


O aplicador competente sabe definir a sua estratégia; e seu ponto de partida é a clareza de objetivos com os recursos de que dispõe, pois do contrário, mesmo ganhando perde: torna-se escravo do dinheiro. Assim como um general que faz a guerra sem motivos, um aplicador financeiro que faça o jogo do mercado sem saber o porquê, a não ser ganhar, não tem nenhum valor, por mais competente que seja.


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