Pense bem antes de votar no dia 25/10/2026

Quando Flávio Bolsonaro fala em mudar a Constituição de 1988, está dizendo claramente que pretende derrubar conquistas sociais históricas da sociedade brasileira recém-saída da ditadura militar, que durou de 1964 a 1985, sendo derrotada pelo povo nas ruas, na campanha pelas Diretas-já (veja aqui o que foi esse movimento: https://pt.wikipedia.org/wiki/Diretas_J%C3%A1). Ditadura da qual toda a famílias de Flávio parece ter saudades, quando aplaude o torturador Ustra (veja aqui quem foi este monstro: https://pt.wikipedia.org/wiki/Carlos_Brilhante_Ustra ).
A Constituição de 1988 obriga os governos federal, estaduais e municipais a gastarem porcentagens fixas dos seus orçamentos com educação (escolas, material escolar, merenda, transportes escolar etc.) e com saúde (médicos, hospitais, remédios, fraldas geriátricas, ambulâncias etc.). Ela também assegura o reajuste anual das aposentadorias pela inflação. Muitos de seus artigos tornaram possíveis numerosos programas governamentais de combate à pobreza, que se revelaram eficazes sempre que bem aplicados, como foram nos governos progressistas, equivocadamente ditos de esquerda.
O que Flávio Bolsonaro pretende, com a mudança Constitucional, é economizar dinheiro público com educação, saúde, aposentadorias e programas sociais (dos quais o Bolsa Família é o mais conhecido). Para fazer o quê, com este dinheiro? Duas coisas, basicamente: primeiro, ter dinheiro disponível para investir no que for interessante para os ricos que o apoiam; segundo, garantir que continuará honrando o pagamento mensal de juros elevados aos compradores de títulos da dívida do governo, assim satisfazendo a gula do mercado financeiro, que já engole a maior fatia dos gastos públicos (mais do que o país hoje investe em saúde e educação).
Em suma, Flávio Bolsonaro tem bem claro a quem favorecerá e quem pagará o preço de seus favores aos mais ricos. E está dizendo para todos como o seu governo lidará com a gestão da economia.
Quem for votar nele deve ter clareza de que, se for pobre - aposentado (mesmo pelo teto do INSS), usuário do SUS e do ensino público em todos os níveis, beneficiário de programas governamentais de amparo às famílias socialmente fragilizadas - vai cair na miséria. Com tanta gente sem poder de compra com o governo derrubando gastos (com saúde e educação, aposentadorias e programas sociais) que representam uma grande fatia da movimentação econômica do país, o mais provável é que aconteça muito desemprego e pressões para redução da massa salarial. Será uma argentinização do Brasil. De embrulho, a classe média praticamente desaparecerá. Coisa que Flávio Bolsonaro dá mostras de que deseja, quando abertamente diz admirar Javier Milei e tomar seu governo como exemplo.
Reflita antes de votar. Entenda que derrotar Lula no dia 25/10/2026 é uma atitude que custará muito caro a todos os brasileiros que não são suficientemente ricos para enfrentar o desastre econômico que virá. Por mais ódio ao candidato do PT que alguém possa ter, se for pobre ou de classe média, pagará um preço altíssimo apenas para se vingar do que quer que seja que o levou a tanta raiva.
Ninguém precisa ser craque em matemática para saber que os beneficiados pelas políticas que Flávio Bolsonaro está prometendo (falando pouco delas, aliás) não devem passar de 5% da população brasileira, um tanto de gente que, mesmo votando toda ela no suspeito filho do Messias, fica longe de poder elegê-lo. Ele será eleito por pessoas que não estão pensando direito no que estão fazendo contra si próprias e contra todo o Brasil (inclusive no quesito soberania nacional) ao votar tão equivocadamente.
Um alerta: Se sua barreira ideológica ou psicológica for tão forte que o torne incapaz de votar em Lula, abstenha-se neste segundo turno, anule seu voto ou vote em branco. Esteja certo de que estará evitando o pior para si mesmo e para sua família (salvo se você for alguém acima da classe média). E, com o passar do tempo, constatará que deixou de contribuir para o retrocesso democrático, para a desorganização da economia e para o caos social no nosso país.




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