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Piracicaba 259 anos: ao vento

  • Foto do escritor: Valdemir Pires
    Valdemir Pires
  • há 8 horas
  • 2 min de leitura
A biblioteca municipal à noite (31/07/2026)
A biblioteca municipal à noite (31/07/2026)

1º. de agosto de 2026. Piracicaba completa seus 259 anos, na condição de um dos maiores municípios brasileiros, em termos populacionais e econômicos. E o que ela é, senão algo como um daqueles indivíduos ricos e vazios,  de quem se diz, com razão, que é alguém que tem apenas dinheiro, e nada mais?

 

Piracicaba hoje é uma cidade sem rumo, sem uma visão de futuro, flutuando ao sabor de ventos cuja direção ela nem mesmo sabe identificar. Globalizada sem ser dar conta do como e com que consequências; provinciana sem saber esconder esta fraqueza, travestindo-se de “moderna” em suas ruas, avenidas, comércios e serviços: ridícula arquitetonicamente, um simulacro de economia de classe média afluente; abandonando seu passado (canavieiro, metalmecânico, ao sabor do processo de industrialização e urbanização do país), não sabe ainda para onde deseja ir, nem se pode almejar sair do lugar ou evitar retroceder. Culturalmente falando, a terra do rio famoso e dos caipiras cantadores e contadores (de história e não de partidas dobradas) ainda anda naquela de sonhar com a Disney. A ponto de muitos de seus habitantes apoiarem, entusiasticamente, um futuro candidato a presidente que lambe as botas de Donald Trump, embora colhendo – que presente de aniversário! – os efeitos de um tarifaço alfandegário sem precedentes, atingida muito além de todas as demais cidades brasileiras afetadas pelo destempero americano contra o avanço chinês no comércio internacional.

 

Não bastasse esse presente – de americano – neste 1º. de agosto Piracicaba fica sabendo de mais um lance no moroso processo de morte de uma de suas maiores perdas recentes: a Unimep (seu reitor foi demitido). Se bem que este título já não cabia, mesmo, a alguém que estava comandando um escombro miúdo, nem mais uma sombra do que aquela universidade foi sob seus verdadeiros reitores: Elas Boaventura e Amir Maia – cada com seu diferente perfil construtor.

 

Aniversário triste, este de 259 anos, para quem andar pelas ruas e praças e pontos turísticos da cidade, constatando a falta quase completa de zeladoria, a presença de crescente população de rua, o semblante cabisbaixo de tantos transeuntes de vida dura em empregos que vão minguando, portinhas de pequenos negócios que vão fechando, mesmo num momento em que o país tem seu PIB crescendo.


Talvez um bom símbolo para este aniversário da cidade seja a luminária quebrada da frente da Biblioteca Municipal “Ricardo Ferraz de Arruda Pinto”, sem qualquer providência para conserto desde, pelo menos, o final do mês de abril passado, enquanto não se sabe a quantas anda uma promessa recente, da prefeitura, de um plano de reformas do prédio, em reação a recente denúncia sindical de completo desmazelo. Embora os mais otimistas talvez prefiram tomar como marca desta efeméride a possível instalação na cidade de uma nova fábrica da indústria automobilística global, que alguns desejariam, antes, debater no Instituto de Pesquisa e Planejamento (o IPPLAP), mas não podem, porque ele foi extinto em 2022, numa atitude contrária à lógica do debate e ao exercício da imaginação coletiva do futuro.

 

Digo isso por ser Piracicaba uma cidade que eu adoro tanto, cheia de flores, cheia de encantos; uma cidade que eu gostaria de ver menos maltratada, política e culturalmente falando, além de econômica e urbanisticamente.


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