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Marcadores de páginas (Diário da Biblioteca XXX, 14/09/2026)

Foto do escritor: Valdemir Pires
Valdemir Pires
há 1 dia
4 min de leitura

Marcadores de páginas



"O tempo para ler, como o tempo para amar, dilata o tempo para

viver." (Daniel Pennac)


Hoje é 14/09/2026 e chove todos os dias desde o dia 9, caracterizando este setembro como o de maior volume de chuvas em uma década, em Piracicaba (eram 151 milímetros até o dia 11, sendo a média história 60-70 mm). Isso está relacionado ao fenômeno conhecido como El Niño e, mais amplamente, às mudanças climáticas que a humanidade não tem conseguido evitar.



Dias chuvosos assim são um convite à introspecção e também a não sair de casa, até porque os alertas da Defesa Civil recomendam evitar os perigos associados a ventanias, tempestades, alagamentos e enchentes. De fato, o Rio de Piracicaba atingiu um nível bastante preocupante, o que não impede que observá-lo seja uma pequena delícia, a que muitos se entregam dirigindo-se às suas margens em grande número.


Ler e escrever nas manhãs e tardes frias, escurecidas pelas nuvens e umedecidas pelas chuvas e chuvisqueiros, convertem-se em fazeres muito agradáveis, especialmente em cantinhos acolhedores da casa, com vistas para fora, em completo silêncio, bebendo uma uma xícara de cappuccino cremosos e fumegante.


Correr os olhos ao longo das estantes de uma biblioteca pessoal (como fiz há pouco, com a intenção de escolher um livro para ler ou reler) é, para seu possuidor, um exercício de retorno ao passado. As obras adquiridas e lidas durante a vida vão evocando momentos e acontecimentos da existência pessoal, mentalmente levando a fases e períodos da vida.


Fui em busca de material para leitura na minha própria biblioteca porque, uma vez mais, nesta semana não visitarei a biblioteca pública local (como tenho feito desde abril), por motivo de saúde e, nesses dias, especificamente, também em obediências aos alertas da Defesa Civil. Terminei escolhendo As Peregrinas, de Jeanne Bourin, pensando em enriquecer antigas leituras sobre as Cruzadas, tendo em vista que se trata de um romance que coloca personagens (fictícios) em interação com figuras históricas, o que cria uma "bolha de realidade imaginária" dentro da qual intenciono como que sentir/experienciar eventos quotidianos dentro da História.


Ao apanhar um marcador de páginas num recipiente que deixo à mão numa das estantes, para utilizar durante a leitura de Bourin, veio-me a ideia de proceder a uma "arqueologia dos meus marcadores de páginas". Pensei: um leitor zeloso tem sempre um marcador de páginas a acompanhá-lo, pois jamais danifica seus livros dobrando páginas como forma de sinalizar o ponto em que interrompeu a última leitura - e esse é o meu caso.


Os marcadores vão "entrando na vida" do leitor juntamente com os livros, geralmente oferecidos no momento da compra ou durante eventos literários e coisas parecidas; também ocorre serem presentes, oferecidos por pessoas que nos reconhecem como leitores. Em geral descartados, às vezes são retidos, por um motivo ou outro, incluindo sua utilidade futura e, não raro, sua beleza ou significado afetivo.


Assim pensando, fui em busca de alguns marcadores de páginas que permaneceram, ao longo dos anos, no meio das páginas de livros e dentro de gavetas, em minha casa. Reuni alguns que considero significativos na minha trajetória de vida e de leitor e escrevo, a seguir, sobre eles, diretamente na página de edição deste meu blog, sem qualquer tipo de revisão.

Começo por dois marcadores que têm grande valor afetivo, ambos obtidos em museus da Europa, de lá trazidos como presentes para mim. O primeiro, dado por meu filho Bruno, comprado no Sherlock Homes Museum; o segundo, presente enviado pelo correio, de Brasília para Piracicaba, pela querida amiga Suylan Midlej, comprado por ela no Musée Rodin. Utilizo-os somente durante leituras especiais, evitando desgastá-los.



Também embebido de enorme valor afetivo é o marcador presenteado pela amiga Valéria Cristina Mari Silva, obra sua, de grande delicadeza: sobre um pedaço de papel duro encimado por uma fita colorida com nó, foram aplicadas minúsculas folhas e flores que, incrivelmente, há mais de três décadas, ali permanecem.



Do querido - e recém-falecido - amigo Heitor Gaudenci Jr. - ganhei um "Marcador de história", distribuído quando ele foi candidato a deputado federal.



Guardo com carinho um exemplar do marcador de páginas que vinha com cada livro ganho do projeto Leia Livro, para ser resenhado, em poucas palavras, a fim de ser, em seguida, divulgado na página do projeto e também em áudios difundidos por emissoras de rádio fm parceiras. Participei com numerosas resenhas curtas e, portanto, tive minha biblioteca enriquecida por vários títulos, sobre os mais variados assuntos, na maioria literatura.



Dois marcadores especiais que possuo me foram dados pelo Conselho Regional de Economia do Estado de São Paulo. Um, de papel, feito para divulgação do órgão junto a estudantes de Economia - eu levava uma porção deles comigo, para distribuição, quando ia a eventos (como formaturas) representando o Conselho, do qual fiz parte, ganhando por isso, na posse, o marcador de metal banhado a ouro 18 K, que é o mais rico da minha coleção.



Marcadores de editoras:



Marcadores de bibliotecas:



Marcadores de livrarias:




Marcador de um sebo:



Marcador de hotel e de companhia aérea:



Marcador de uma coleção:



Marcadores inteligentes:


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Marcador de divulgação do livro de um amigo poeta que compartilha comigo inquietações acerca do tempo:



Marcadores sempre à mão, pelo bem dos livros, dentro de uma caneca que lembra um projeto realizado no Departamento de Administração Pública da Unesp de Araraquara, o Prefeitos Paulistas:




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