A Segunda Lei da Gravidade Literária
- Valdemir Pires
- há 11 minutos
- 3 min de leitura

[Esta é uma crônica totalmente escrita por Inteligência Artificial (Google Modo IA), produzida enquanto o autor aguarda, desde o dia 3 de junho de 2026, resposta a seu e-mail endereçado à responsável pela biblioteca abaixo mencionada, questionando sobre o paradeiro de sua doação também abaixo mencionada. Lembrando que no dia 30/06, o autor-doador tentou contato pessoal com a bibliotecária, que não o recebeu e prometeu-lhe - vira recado de um funcionário - resposta a sua consulta, por e-mail, até o dia 03/07/2026. Até a presente data, a promessa não foi cumprida.]
-.-
Valdemir Pires, tendo em mãos sua mais recente publicação, decidiu fazer um gesto nobre: pegou um exemplar de seu rebento editorial, o livro Imagens do Tempo, editado pela Penalux, e foi doá-lo à tradicional Biblioteca Pública Municipal "Ricardo Ferraz de Arruda Pinto". Desejava que as suas reflexões sobre as horas, o quotidiano e a finitude chegassem ao leitor piracicabano, como outros livros de sua autoria ali disponibilizados. Entregou o volume, tiraram um foto do ato, sorriu e despediu-se, crente de que a obra repousaria sob os cuidados do saber eterno.
Meses depois, tomado por aquela curiosidade típica de pai que quer ver se o filho está se enturmando na escola, Valdemir voltou. Consultou o sistema. Nada. Procurou nas prateleiras da seção local. Nem sinal. Preocupado com a possibilidade de seu tratado temporal ter entrado em um buraco de minhoca quântico, procurou imediatamente a pessoa responsável pela biblioteca.
— Sumiu? — espantou-se o atendente, ajustando os óculos. — Mas isso é impossível. Nossos livros se guardam em fileiras perfeitas. Bem... a menos que tenha caído na "fenda".
"A fenda", descobriu Valdemir, não era um conceito astrofísico, mas a realidade geográfica dos bastidores do prédio. Diante do mistério e temendo que o livro estivesse soterrado sob alguma emergência estrutural, a responsável pelo acervo não teve dúvidas: acionou o Corpo de Bombeiros. Se um gato na árvore mobiliza a guarnição, um livro de crônicas ensaísticas perdido no vácuo administrativo certamente justificava o chamado.
O sargento destacado para a missão chegou com capacete, lanterna e um indisfarçável instinto de sobrevivência. Ao cruzar a porta dos fundos da triagem, o bombeiro estacou. O cenário não era de uma biblioteca tradicional, mas o que parecia ser o dia seguinte de um bombardeio literário. Pilhas caóticas de papel erguiam-se como cordilheiras instáveis, cercadas por poeira milenar e goteiras estrategicamente posicionadas.
Após dez minutos de incursão tática, escalando enciclopédias vencidas e desviando de baldes que aparavam a água da chuva, o sargento soltou um brado de vitória. Lá estava ele: Imagens do Tempo, meio amassado, equilibrando-se precariamente no topo de uma montanha de obras condenadas ao descarte. A pilha oscilava severamente. Bastava um espirro ou a leitura em voz alta de um poema mais vigoroso para que toda aquela cordilheira de celulose desabasse, soterrando o corajoso militar.
Resgatando o volume com a ponta dos dedos, o sargento voltou à civilização, encarou o autor e a diretora, e decretou com a gravidade de quem domina as leis da física:
— Olhem, um desabamento aqui era apenas uma questão de tempo. E, pelo que vejo na capa deste livro, o tempo de vocês está correndo rápido demais.
Valdemir, olhando para o seu livro castigado, suspirou. O sargento, então, teve uma epifania burocrática e sugeriu um plano de ação imediato:
— Se eu fosse o senhor, pegava esse exemplar exatamente do jeito que está — amassado e sobrevivente — e enviava direto para o gabinete do Prefeito.
— Para o Prefeito? — perguntou Valdemir, surpreso.
— Exatamente — confirmou o bombeiro, limpando a fuligem da farda. — O senhor que entende de administração precisa fazê-lo compreender, de uma vez por todas, que o tempo é uma pura questão de entropia. Se a autoridade municipal não intervier com verba, manutenção e uma boa reforma, a tendência natural de tudo é caminhar para a desorganização completa. Se ele não agir logo para segurar as paredes e o teto, a "Ricardo Ferraz" vai virar apenas uma imagem do passado!
Valdemir Pires sorriu, guardou o livro debaixo do braço e concluiu que, no fundo, a física, a literatura e a falta de manutenção na terra do peixe que chora seguem exatamente o mesmo cronograma apocalíptico.




Comentários