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Votar em virtude e excelência

Foto do escritor: Valdemir Pires
Valdemir Pires
há 11 minutos
3 min de leitura

Imagem: Wix
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No próximo domingo, 04/10/2026, os brasileiros irão às urnas para escolher os ocupantes dos mais importantes cargos de governo no país e nos estados: presidente e vice-presidente da República, senadores e deputados federais, governadores e vice-governadores e deputados estaduais. Mais importante do que votar em pessoas, será escolher atributos e características pessoais e partidárias que certos candidatos possuem, revelados em seus comportamentos e práticas precedentes e insinuados em seus discursos e propostas.

 

É claro que o ato de votar envolve uma quantidade de elementos que o distancia da pura racionalidade e o aproxima, muitas vezes, do absurdo. Afinal, quem vota é esse indivíduo de todos conhecido: insuficientemente informado e não raramente manipulado, precariamente posicionado em meio a muitas contradições, eivado de convicções que não coincidem com seus próprios interesses etc. Mas isso não deve inibir – pelo contrário, deve incentivar – que se relembre o que seria bom (e até mesmo belo) que o eleitor considerasse ao escolher aqueles que o irão representar na condução da coisa pública.

 

Deve-se buscar para decidir a respeito da coisa pública, e para implementar o que for decidido, pessoas que provam ou, minimamente, revelam indícios (de preferência fortes) de possuir virtudes e excelências indispensáveis para conceber e aprovar boas leis e para bem governar com base nelas.

 

Quanto às virtudes, devem ser as cívicas, republicanas e democráticas: o candidato precisa ter como fundamento para sua candidatura a busca do maior bem-estar social atingível (dados os recursos disponíveis, a serem distribuídos da melhor forma possível), respeitando e promovendo relações de poder que acatem a decisão da maioria sem desconsiderar os direitos das minorias e as tantas diferenças que legitimamente perduram entre indivíduos e grupos que compõem uma sociedade plural. Portanto, candidatos que claramente pretendem ocupar o poder para defender interesses pessoais, familiares, grupais conflitantes com o interesse público, devem ser descartados. Infelizmente estes têm sido a maioria. Felizmente, é muito fácil identificá-los, seja pelo vazio republicano de suas trajetórias no poder (buscando reeleição), seja pela natureza inconsistente e oportunista de suas propostas quando tentam se eleger pela primeira vez. De fato, candidatos virtuosos são poucos, sendo necessário escolher entre eles, só eles, depois de limpar a área, colocando de lado toda a tralha oportunista, geralmente individualista, ilusionista que se apresenta durante o processo eleitoral.

 

Se o candidato é virtuoso, mas incompetente, não poderá bem governar. Ele precisará de algum grau de excelência nos fazeres que estarão a seu cargo. Excelência legislativa, no caso dos parlamentares (deputados e senadores); excelência governativa/executiva, no caso do presidente e dos governadores. Saber legislar (decidir rumos e direções de interesse da sociedade e delinear políticas públicas) e saber governar (implementar políticas públicas) têm a ver com dominar capacidades analíticas e técnicas, que passam, necessariamente, pela capacidade das lideranças de posicionar e pôr em movimento o aparato governamental, a fim de que cumpra suas finalidades.

 

Tanto virtudes quanto excelências, no assunto aqui em pauta, são metas, talvez jamais plenamente atingidas. Mas deixar de considerá-las, ao escolher pessoas e partidos que vão definir, em grande medida, como viveremos os próximos quatro anos, é a mais completa loucura. É preciso, sim, impor insignificância (poucos votos) a todos os candidatos desprovidos de virtude e de excelência; e dar oportunidade de legislar e de governar àqueles que, pelo menos, claramente se esforçam na busca de bem governar, ou seja, de conduzir os assuntos de interesse coletivo tendo por base as virtudes e as excelências que que eles merecem, tentando atingir o máximo de bem-estar social, respeitando o Estado de direito, a democracia.

 

O voto é secreto, mas o segredo para fazer bom uso dele é este: entender a urna como uma caixa onde se deposita esperança. Não qualquer esperança: a esperança de que, escolhidos os mais virtuosos e excelentes de nossos semelhantes para nos governar, chegaremos, junto com eles (vigiando-os e cobrando-os ao longo de seus mandatos), a dias em que nossas vidas, individuais e coletiva, serão as melhores possíveis do ponto de vista social, cultural, econômico e político.

 

Que das urnas desse 04/10/2026 brotem as condições para que o Brasil siga em frente (crescendo, melhor distribuindo renda, mantendo sua soberania e sendo globalmente relevante, aprofundando sua democracia), dando provas de que deixou para trás – quiçá para sempre – o recente tempo trágico do autoritarismo, do entreguismo, do predomínio de pequenos interesses ao governar    , resumidos numa só palavra: bolsonarismo (versão muito piorada – e mal disfarçada, felizmente contida – da ditadura militar superada há poucas décadas).

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