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  • Foto do escritorValdemir Pires

Esperancinhas



Imagem: Dyu-Ha, Unsplash


A esperança é aquela bandeira ao vento, lá em cima do morro; é aquele chamado do clarim que atravessa a floresta; é aquele raio de luz no fim do túnel; é um sinal, um farol que a neblina esconde, ou um pisca-pisca na escuridão.  

 

Para quem, a esperança? Como possibilidade, para todos, para quem existe. Mas à mão apenas de quem insiste, persiste, resiste. Quem desiste é porque já não consegue ou desistiu de vê-la, lá no alto, lá longe, depois da caverna, em meio ao mar bravio ou na noite profunda.

 

Não é preciso esperança quando há certeza, naquelas poucas situações em que há certeza. A esperança pode ser substituída pela probabilidade, quando esta funciona. Mas ela é única tábua de salvação quando o futuro se nega a mostrar o que prepara e, principalmente, quando se vislumbra um porvir que promete perdas, frustrações, dores, tristezas.

 

Há uma esperança necessária à vida em geral. É aquela que se relaciona à dádiva – vem de graça e como graça. Assemelha-se à sorte: no mínimo, espera-se, sempre, que o azar não mostre sua cara e não lance suas garras durante as jornadas. Tem um quê de fé.

 

E há a esperança nas consequências. Lá está ela quando, depois de semear, espera-se pela colheita. Esperança plantada. Uma espécie de vitória pela qual se batalha.

 

Não é verdade que quem espera sempre alcança. Quem fica só esperando, raramente alcança; quem espera o fruto da semente que semeou, geralmente alcança, mas pode não alcançar (solo infértil, intempéries etc.). Esperar, definitivamente, não é alcançar.

 

Mas é verdade que a esperança é a última que morre – mas morre. Morre se for deixada à própria sorte, esquecida, não alimentada. Morre por último, sim, pois na falta dela, a vida human, terá perdido todo o sentido.

 

A única coisa que se espera com certeza absoluta, é a morte. Tudo o mais espera-se diante do pêndulo que oscila entre o pode-ser e o pode-não-ser. É no intervalo de tempo entre os extremos deste pêndulo que se faz a aposta a que se dá o nome de esperança: acredita-se que o que pode ser, será. Será!

 

Nenhum de nós será imortal – jamais nutrir esperança nisso. Por outro lado, nenhum de nós precisa se tornar um morto-vivo – para evitar isso, existe a esperança que, para melhor servir, pode ser fatiada numa porção de esperancinhas ao longo de toda a vida.

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