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Eleições e motivos para acreditar

Foto do escritor: Valdemir Pires
Valdemir Pires
há 10 minutos
3 min de leitura

Imagem: Wix
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Os motivos para que o eleitor mediano acredite que faz uma boa escolha ao votar em determinado candidato são os mais variados; alguns deles são incríveis. Ou seja, é inacreditável o modo como tantos eleitores acreditam que fazem boa escolha nas urnas.

 

A escolha pura ou predominantemente racional de um futuro legislador e/ou governante é aquela que se faz com clareza acerca, pelo menos, dos seguintes elementos: que tipo de governo se considera o melhor (muito ou pouco intervencionista, democrático ou ditatorial, por exemplo), o que se deve esperar do legislador ou governante uma vez no poder (que contribua para a manutenção do status quo ou aponte na direção de sua superação, por exemplo), a vontade e a capacidade do candidato escolhido para promover o tipo de governo considerado melhor e para manter ou mudar o a realidade atual.

 

Na escolha racional, portanto, fundamentais são o posicionamento ideológico do candidato e suas propostas e planos para legislar e governar, diretamente relacionadas à filiação partidária dele, desde que seu partido funcione verdadeiramente como “filtro” de possibilidades em termos de visão de mundo e de natureza e possibilidades/limitações das políticas públicas.

 

Só em parte, todavia, a escolha eleitoral é racional. Primeiro, porque o eleitor, indivíduo emocional que é, raramente consegue evitar que sentimentos e emoções, profundas/atávicas ou superficiais/momentâneas obscureçam seu raciocínio ao depositar seu voto na urna. Segundo, porque, sendo esse o perfil do eleitor mediano, o processo de disputa entre os partidos e candidatos move-se à base de apelos emocionais, deixando em segundo plano o objeto que nele deveria se central: planos de governos e propostas legislativas. Terceiro, porque a publicidade e a propaganda de que se lança mão para convencer o eleitor, independentemente de qual seja o partido ou o candidato, baseiam-se em técnicas mobilizadoras não do raciocínio, mas das emoções – e ai daquele que quiser fazer da propaganda instrumento de “conscientização” do cidadão...

 

Quanto mais complicado o momento histórico no qual uma eleição acontece, maiores as incertezas, as desconfianças, os medos, a propensão a agir e reagir sem ponderação e até truculentamente; mais profundas as divergências, mais amplas as cisões, mais “selvagens” as disputas, piores os resultados.

 

No dia 04/10/2026, no Brasil, irão às urnas, para fazer escolhas cruciais, milhões de eleitores mais do que naturalmente “emocionados” (com dificuldades intrínsecas para se deixarem guiar pela razão); são eleitores superficialmente instados a se deixarem levar por motivos que os desviam da necessária escolha de bons legisladores e bons governantes. Contaminados por polêmicas semeadas e fartamente regadas nas redes sociais, esses eleitores sentem-se absolutamente cheios de razão, exatamente quando esta mais se distancia deles. Não fosse assim, certos candidatos fortes nem chegariam perto de insignificantes porcentagens das intenções de voto reveladas pelas sondagens eleitorais.

 

O que explica, senão a irracionalidade e o uso oportunista dela, o perigo de um candidato – mais um Bolsonaro – com biografia e relações nada honrosas e um histórico parlamentar no mínimo vergonhoso, manter-se em posição de ir para um segundo turno e, neste, vir a ser apoiado pelos miúdos que participam do processo?

 

A história recente do Brasil oferece a todo e qualquer cidadão deste país um quadro de referência muito claro quanto às escolhas (e consequências dessas escolhas) tendentes à direita (neoliberal) e à esquerda (progressista, pois revolucionária não há): os quatro anos de Bolsonaro e os últimos quatro anos de Lula. Afastado todo o ilusionismo utilizado para exacerbar ânimos (inclusive potencializado por potências e interesses estrangeiros no contexto da reconfiguração da nova ordem mundial), não deveria haver dúvidas de que, por mais que se deteste Lula e se tenha ódio ao PT, entregar o país (e é disso que se trata, entregar) a Flávio Bolsonaro e seus correligionários será um desastre (imenso retrocesso socioeconômico e político) de que o Brasil levará muito tempo para se recuperar.

 

Fica, pois, o convite aos potenciais eleitores do 01 (e de seus aliados que disputam governos estaduais e as cadeiras legislativas nacionais e estaduais): anulem seus votos ou votem em branco! As únicas vidas que perderão com isso, acreditem! (pois há motivos), será a dos candidatos que os convenceram a apoiá-los a troco de promessas que, em parte não se cumprirão e, em outra parte, melhor será que não se cumpram, pois afundarão tanto a economia como a política do país num verdadeiro inferno.

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