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Clareiras (Diário da Biblioteca VI-cont., 25/05/2026)

  • Foto do escritor: Valdemir Pires
    Valdemir Pires
  • há 21 horas
  • 3 min de leitura

Clareiras


“Apesar da internet, dos computadores, dos hipertextos, os

livros foram, são e serão imprescindíveis para o ser humano.”

(Umberto Eco)

 

A biblioteca por trás, com escola ao fundo
A biblioteca por trás, com escola ao fundo

De início, eu ia à biblioteca no meio da tarde, ficando até o fim, uma vez por semana. As obrigações pessoais me impedem de dedicar mais tempo a essa atividade que tanto aprecio. Mas um rearranjo na rotina me permitiu começar a ir no meio da manhã, podendo ficar até o meio da tarde, intercalando o almoço fora. Está sendo mais interessante.

 

Um bom lugar para almoçar
Um bom lugar para almoçar

Hoje, antes de ir à biblioteca, fui almoçar. Tão cedo que fui dos primeiros a chegar no restaurante Portal do Engenho, descoberto, na visita anterior, na esquina esquerda do quarteirão logo abaixo da biblioteca. Pensei: “Fica perto, vou aproveitar para conhecer da próxima vez”. Eu estacionei o carro em frente à biblioteca sem nenhuma dificuldade, pois as vagas eram muitas e ficam todas fora da zona azul; não ocupei a vaga reservada para idosos, calçada acima e sob sombra, apesar de ela estar livre, a fim de deixá-la disponível para outro, no caso de as vagas comuns rarearem ao longo das horas seguintes. Desci a pé o trecho em declive acentuado (o final da Saldanha Marinho é quase uma barranca de rio em direção ao Piracicaba), entrei no restaurante, surpreendi-me com o ambiente simples, mas bem-organizado, limpo e agradável e perguntei ao simpático garçom: “Vocês servem de madrugada?” Rindo ele me sugeriu uma mesa e trouxe o cardápio, bem variado. Escolhi um pintado à belle munier, pois fazia tempo que eu estava com vontade de comer um pintado. O que se seguiu foi uma gostosa refeição, bem gostosa mesmo, inclusive o molho de pimenta da casa: eles conseguiram manter o gosto da pimenta ardida, mas amansando a “pegada” (ou pancada) típica na língua – coisa singular, que me levou a perguntar se vendiam para se levar para casa (gosto muito de pimenta, principalmente das bem ardidas) e, diante da resposta positiva, decidi que da próxima vez vou pegar um frasco.

 

Descendo a Saldanha Marinho
Descendo a Saldanha Marinho

Bem alimentado e satisfeito, retornei à biblioteca, fiz tudo o que já relatei anteriormente e, ao sair, fui caminhar ao redor do quadrilátero que a contém, juntamente com a escola vizinha. O quarteirão é parte de uma baixada, tipo de terreno que devia custar barato tempos atrás, devido a essa característica geológica desvalorizadora e também por ficar numa banda menos movimentada num passado não muito remoto. É notável o fato de que os quarteirões próximos deste que a prefeitura escolheu para enfim abrigar os livros públicos numa “casa própria” (que por décadas não a tiveram), constituem uma verdadeira clareira (de casas simples ou pequenos sobrados) entre edifícios verticais. Parece que até agora a área afugentou os prédios altos... E parece, também, que aquele prédio em construção na frente da biblioteca é apenas o prenúncio de que isso vai mudar, como já dito anteriormente.  Aproveitei para tirar umas fotos, para que fiquem como registro do momento imediatamente anterior às modificações ora “farejáveis”. Enquanto o fazia, pensei: “Dentro destra clareira espacial/urbana quase à beira-rio (que o mercado imobiliário em breve fará desaparecer), faço toda força para manter em minha vida uma clareira cronológica/temporal que me permita conviver com amados livros/autores, tentando nada negligenciar de tudo aquilo que o tempo me exige quotidianamente.


Vista das imediações da biblioteca, sem edificações verticais
Vista das imediações da biblioteca, sem edificações verticais

 

Vista das imediações da biblioteca, sem edificações verticais
Vista das imediações da biblioteca, sem edificações verticais
Vista das imediações da biblioteca, sem edificações verticais
Vista das imediações da biblioteca, sem edificações verticais

 

Vista das imediações da biblioteca, sem edificações verticais
Vista das imediações da biblioteca, sem edificações verticais

-.-


Whatsapp no fim da tarde: mensagem de meu velho amigo Claudinei Coletti, informando do envio, pelo correio, de seu romance Serena do Campo (para o qual escrevi o texto da orelha), apresentado ao mundo no lançamento realizado em Campinas no último sábado, 23 de maio. Valeria a pena a “Ricardo Ferraz” ter um exemplar, pensei. Ao mesmo tempo, lembrei: será que ela tem os vários livros de outro meu amigo, André Rehbein Satlher Guimarães? E do Sebastião Neto Ribeiro Guedes? E do Newman Simões? E do Alê Bragion? E do Tito Kiel? E do Tadeu Marcato? Será que tem os da Beatriz Vicentini e da Vivian de Moraes? Vou verificar isso e, de quebra, ver também se lá estão os meus.


(Continua)


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