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A biblioteca à noite (Diário da Biblioteca – XVIII, 31/07/2026)

  • Foto do escritor: Valdemir Pires
    Valdemir Pires
  • há 2 dias
  • 3 min de leitura

A biblioteca à noite


A biblioteca no começo da noite
A biblioteca no começo da noite

 

“Sem bibliotecas, o que temos? Nem passado nem futuro.” (Ray

Bradbury)


Visitas anteriores à Biblioteca “Ricardo Ferraz de Arruda Pinto” levaram-me a descobrir, ali na esquina entre a Tiradentes e a Saldanha Marinho, a Casa de Carnes Rubia. Ao ir lá, um dia, comprar torresmos, sendo muito bem atendido, descobri que às sextas-feiras, do fim da tarde até o meio da noite, o estabelecimento se torna um verdadeiro bar, com mesas e cadeiras na calçada à porta e também num canto da praça onde se localiza a biblioteca. Querendo saber como esta fica, à noite, depois de fechada, decidi-me, hoje, por um happy-hour à porco e cevada (algo meio que o à moda da casa dos Rubia), convidando Regina para a aventura.

 

Ao chegar, percebi que estacionar nas proximidades não seria tão fácil como vem sendo durante o dia, nas visitas semanais à biblioteca. Prova de que o Rubia criou, ali, um espaço já apreciado por uma boa quantidade de pessoas.

 

A biblioteca ao cair da tarde
A biblioteca ao cair da tarde

Achei que o local seria escuro e pouco movimentado, ao contrário do que vi. Chegamos por volta das dezoito horas, quando o sol estava terminando de se pôr: uma beleza lá para as bandas do rio. Enquanto ele, o sol, estava indo, pessoas estavam chegando, acomodando-se nas cadeiras e mesas de madeira disponíveis; o fluxo de veículos no cruzamento era intenso, dificultando a travessia que os garçons tinham que fazer ao ir do açougue à praça, e de lá retornar, para atender os clientes.

 

Movimento na esquina da biblioteca
Movimento na esquina da biblioteca

Pareceu que algum evento corporativo terminara havia pouco no Espaço Beira-Rio, localizado na lateral de baixo da biblioteca, pois numerosas pessoas subiam de lá em direção à parte alta, muitas ainda com crachás pendurados. Tanto que, como vimos depois, aquele estabelecimento estava fartamente iluminado, contribuindo para a natureza agradável do trecho.

 

Na medida em que foi escurecendo, as luminárias das ruas e praças foram se acendendo, ficando todo o local convidativo para um bom começo de noite. A temperatura estava amena, caminhando para um pouco fria. Bebidas e comidas pedidas chegaram rapidamente, sabores agradando e combatendo a fome que já se fazia sentir. Observando tudo, Regina e eu conversamos sobre variados assuntos, entre eles livros, a biblioteca, a cidade, nossas vidas. Com o celular, fotografei um pouco, pensando em uma crônica fotográfica da experiência, com foco na biblioteca à noite, objetivo do passeio. Um bom fotógrafo, com equipamentos adequados, faria a festa!

 

Fachada à noite
Fachada à noite

Leitores de pessoas e dos espaços urbanos, vivemos um momento que nos proporcionou um sentimento comum de estar no mundo, apesar de nenhuma interação com os presentes, concentrados que estávamos na conversa que mantínhamos.

 

Fechada à noite
Fechada à noite

Se fosse iluminado por aqueles holofotes poderosos, hoje utilizados para destacar a estrutura e a arquitetura de edifícios que merecem essa atenção, o prédio da biblioteca proporcionaria àquela região uma atmosfera extremamente aconchegante, as luzes artificiais substituindo a natural, do sol, na medida em que o alaranjado desta desaparece aos poucos, como numa dança de passagem de bastão da natureza para a cultura (técnicas de iluminação urbana e de utilização dessas para paisagismo). Mais bem cuidada do que é, a praça lateral ali existente, com suas árvores, bancos e uma espécie de teatrinho de arena, poderia atrair jovens e crianças, em atividades lúdicas e culturais de fim de tarde-começo de noite, ainda mais se a biblioteca permanecesse aberta até lá pelas nove da noite, propiciando apoio às atividades, bem como atraindo usuários impossibilitados de ir até lá durante o dia.

 

O prédio em frente, sem a luz do dia
O prédio em frente, sem a luz do dia

Mesmo sem tudo isso – devaneios – o conjunto praça-bar-prédio-entorno é bastante agradável no começo de noite de sexta-feira (restando descobrir como fica nos outros dias da semana, sem o negócio do Rubia em funcionamento). As luzes convencionais da rua e da praça, funcionando bem, evitam que a esquina mergulhe numa atmosfera sombria. O prédio da biblioteca, apesar da presença do edifício em construção na sua frente (hoje um esqueleto alto, escuro durante a noite, futuramente um conjunto residencial iluminado, provavelmente) é beneficiado pela iluminação pública, mas poderia ficar melhor se as luminárias próprias não ficassem apagadas; fechada, por dentro iluminada por poucas lâmpadas acesas, penumbrosa, a biblioteca assume ares de misterioso convite à entrada (proibida, é claro, à noite, quando está fechada). Sob diferentes ângulos, banhado pela iluminação noturna, o prédio da biblioteca, apesar da sua simplicidade arquitetônica, destaca-se no quarteirão em que se localiza, preenchendo-o com sua leveza estrutural em blocos, vidros e chapas metálicas.


 

(Continua)

 

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