• Valdemir Pires

Questões-chave sobre a atual afronta à inteligência e à sensibilidade

Quanto tempo suporta um povo, os habitantes de um país, ser deliberada e visivelmente submetido à perda de direitos e a crescentes dificuldades econômicas, enquanto é, politicamente, objeto de descaso, escárnio e zombaria de seus representantes eleitos? Quanto tempo suporta esse povo viver sob um governo que, ao invés de governar, usa as estruturas e recursos governamentais para realizar um combate ideológico absurdo, fora do tempo e de lugar, perseguindo adversários, envolvendo-se em embates diplomáticos desnecessários, destruindo o aparato estatal, afrontando as instituições democráticas, tornando a vida diária dos cidadãos um verdadeiro inferno de dor e incerteza?

Qual o grau de tolerância da sociedade às práticas políticas e governamentais que a fragilizam e que diminuem a todos e a cada um, todos os dias, por meio de atos, omissões, posturas, comportamentos de grupos e indivíduos que deveriam estar envolvidos justamente em fazer o contrário: propiciar as condições políticas e institucionais para o desenvolvimento socioeconômico e a ampliação do bem-estar social?

Há limites para que uma massa imensa de pessoas permaneça passiva frente a governantes e instituições públicas que muito pouco ou nada fazem diante do fato de que políticos eleitos para cuidar de seu interesse e futuro a estejam abandonando em meio a uma pandemia letal?

Até que ponto pode chegar a passividade dos cidadãos-eleitores-contribuintes que se deparam com discursos e práticas quotidianas que abusam, sem temor ou vergonha, de sua condição de fonte última do poder e de origem dos recursos que sustentam o funcionamento do governo?

Para onde caminha uma Nação que tolera a estupidez, a ignorância, a insensibilidade, a truculência, a insolência, o desrespeito, a falta de decoro de seus governantes máximos?

Que futuro pode ter uma sociedade cuja fração expressiva de membros não só não repudia, como aplaude, discursos, atitudes, gestos e comportamentos claramente selvagens, contrário ao mínimo de civilidade e compaixão, apostando contra a coesão social e defendendo uma potencial guerra civil?

Que visão têm de si mesmos e dos outros aqueles que pedem que uma ditadura militar sangrenta volte a se instalar em seu país, como se pudesse isso se voltar apenas contra “os outros”?

Que fazer, diante disso, com urgência? deveriam estar discutindo todos os prejudicados, mas permanecem, uns, iludidos por mentiras disparadas aos milhões em redes sociais e, outros, auto-encantados com sua descomunal argúcia teórico-científica para compreender os problemas e prescrever soluções (para o vento).


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