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  • Foto do escritorValdemir Pires

Quando o tempo ainda não existia


Imagem: Joe Jansen, Unsplash


Houve um tempo em que não existia isso que chamamos de tempo? Se o tempo não existia, como se poderia, então, falar em existência do que quer que seja (inclusive do tempo)?, já que tudo que existe, existe no tempo, nunca fora dele. Ou será que o tempo pode existir fora do tempo? Argh! Chega a doer a cabeça!

 

Tempo, com nome de tempo, certamente depende da existência da linguagem, que o nomeia, e esta surgiu num determinado momento do tempo histórico. Então, existiu tempo antes de os homens darem a ele este nome. Certamente.

 

Que tenha alguém, em algum longínquo momento, dado o nome de tempo ao que hoje conhecemos como sendo o tempo, é um fato histórico – pré-histórico, de fato –, o que comprova que houve um tempo, antes da pré-história, desde o surgimento da Terra, em que o tempo já existia, mas não com este nome, na verdade sem nome algum.

 

Ainda que tudo isso já pareça bastante complicado, sem deixar de ser um tanto engraçado, o problema de um tempo antes da existência do tempo fica ainda mais conturbado se o que se pergunta não tem a ver com o nome, com as simples palavras com que a ele nos referimos, mas sim com a física da coisa, com sua materialidade. Existiu um tempo fora do tempo, antes do tempo?

 

A resposta da Física, da Cosmologia é: Não. Antes do tempo houve um Nada, coisa alguma, não se pode dizer vazio. Neste Nada, inexistia não só o tempo, mas também o espaço, a massa, a energia. Sequer, de fato, se pode falar em “antes”, neste caso, porque esta palavra já contém em si o tempo, ou a ideia de tempo, então inexistente.

 

Como tempo e espaço, isolado um do outro, não existe (diz a Física desde Einstein, para a qual o tempo absoluto de Newton é pura fantasia, metafísica); como o que há no universo e o constitui é um “tecido” (algo material) chamado espaço-tempo, que é curvo devido à presença de massas sobre ele, gerando a gravidade, afirma-se que este conjunto de coisas constitutivas do universo (espaço, tempo, massa, energia) originou-se de uma explosão há uns tantos bilhões de anos – o Big Bang.

 

O Big Bang é, então, a mãe do tempo (assim como do espaço e tudo o mais); mãe, apesar de seu nome masculino, porque pai só fecunda, não concebe. Então, haverão de perguntar os curiosos insatisfeitos: quando foi que ele (ou ela) gerou o tempo? Sim, cabe a pergunta, pois a mãe precede o filho e tem existência num tempo, necessariamente anterior ao nascimento deste. Ao concebido precede a concepção; e a esta, o ente que concebe. Causalidade.

 

É a limitação da linguagem que permite perguntar se houve um tempo antes do Big Bang. Mas a resposta – uma heresia à Gramática e ao modo convencional de raciocinar – é: Não. O “tempo” que existiu antes do tempo é um não-tempo. O “tempo” de quando o tempo ainda não existia não era uma das dimensões desta coisa gerada (“tecido” espaço-gempo) pelo Big Bang. Não só carecia de materialidade, como também de nome, este resultando de um batismo que só viria a acontecer muuuuito tempo depois de a coisa (“tecido” espaço-tempo) ter surgido (em meio a uma explosão de dimensões inimagináveis e a temperatura inconcebíveis), porque o homem (o “batizador”) apareceu tardiamente, e a linguagem, que ele utilizou para batizar, demorou um tempo mais para ser inventada.

 

As questões acerca da origem do tempo, assim como do possível fim dele, com a derrocada do universo (Big Crunch), são objeto da recentíssima Astronomia Gravitacional, que lida com conceitos e métodos de investigação bastante estranhos para o senso comum e até mesmo para as ciências que operam com visões e instrumentos que ainda não incorporam o que desde a Teoria da Relatividade foi descoberto e comprovado.

 

Será que a inteligência humana terá tempo para aprofundar seu entendimento do que é o tempo, tomando-o nos termos relativos de Einstein e não mais nos termos absolutos de Newton? Esta pergunta é feita, aqui, porque é claro que a Terra (e tudo que nela vive), assim como o Sistema Solar e a Via Láctea, desaparecerão, e muito antes do Big Crunch, do fim do universo todo (se é que acontecerá); e também se pergutna porque, a julgar pela dificuldade que os humanos estão tendo para reverter uma catástrofe ecológica previsível, eles próprios desaparecerão bem antes da catástrofe astronômica que porá fim ao planeta e à galáxia locais.

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