Plano Municipal do Livro, Leitura, Literatura e Bibliotecas de Piracicaba: uma página não aberta
Plano Municipal do Livro, Leitura, Literatura e Bibliotecas de Piracicaba: uma página não aberta

“Caminhas em direção da solidão. Eu, não, eu tenho os livros.”
(Marguerite Duras)
A Lei Ordinária nº 10.182, de 4 de outubro de 2024, institui o Plano Municipal do Livro, Leitura, Literatura e Bibliotecas (PMLLLB) em Piracicaba.
O art. 6°. da lei estabelece que “O acompanhamento deste Plano será feito por um Conselho Consultivo formado por um (1) representante do Conselho Municipal de Educação, um (1) representante do Conselho Municipal de Cultura, por dois (2) representantes da Secretaria Municipal de Educação, (2) dois representantes da Secretaria da Ação Cultural, por dois (2) representantes da Câmara Municipal e por membros da sociedade civil, como professores, escritores, editores, bibliotecários, críticos literários, livreiros, representantes de pessoas com deficiência, de centros de pesquisa e universidades.
Parágrafo único. São competências deste Conselho:
I - acompanhar a execução deste PMLLLB;
II - fiscalizar a utilização dos recursos públicos para a implementação do PMLLLB;
III - opinar e promover discussões, articular demandas regionais e setoriais.”
No dia 4 de outubro vindouro esta lei completará dois anos. Uma consulta foi feita à Secretaria de Cultura, no dia 17/08/2026, nos seguintes termos: “Solicito informações atualizadas sobre a composição do Conselho Consultivo do PMLLLB, instituído pela Lei Ordinária n. 10.182. Quem são os conselheiros e que segmentos, respectivamente, representam?”
No dia 25/08/2026, a resposta obtida foi: “A Secretaria Municipal de Cultura informa que não procedeu com a nomeação do referido conselho consultivo. Informa ainda que fará tratativas com a Secretaria de Educação, também responsável pela gestão do plano.”
Ou seja, duas administrações (a anterior e a atual), até agora, estiveram omissas quanto a uma providência simples e mínima prevista no PMLLLB. E, provavelmente, nada foi feito a respeito dele, colocando-o na condição de página já escrita, mas nunca aberta – ideia abandonada.
Enquanto isso, continua a Biblioteca Pública Municipal “Ricardo Ferraz de Arruda Pinto” às moscas, poeiras e goteiras. Os problemas neste próprio municipal e neste setor de atuação da prefeitura municipal são muitos e estão se acumulando. Para se dar uma ideia da inoperância para enfrentar o quadro de deterioração, vale a pena uma ilustração.
No dia 27 de abril de 2026, o par de luminárias do lado esquerdo da frente da biblioteca estava assim:


Enquanto isso, a construção do edifício do outro lado da rua da biblioteca estava no seguinte pé:

Passados quatro meses (final de agosto de 2026), o que se tinha era uma situação reveladora do descompasso entre uma coisa e outra: o prédio subiu alguns andares, enquanto a luminária continuou quebrada:


Conclusão: a prefeitura está demandando mais tempo para trocar uma luminária do que é necessário para se levantar vários andares de um prédio que, diga-se de passagem, não tem se revelado uma obra levada a cabo com a celeridade normalmente observada na construção civil.
Ficam as perguntas:
Há esperança para a Biblioteca “Ricardo Ferraz de Arruda Pinto”? Em algum momento o PMLLLB será levado a sério?




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