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  • Foto do escritorValdemir Pires

Para sempre não existe


Não existe para sempre, este dizer mal inventado.

 

Nada existe para sempre, exceto a completa impossibilidade de algo perdurar infinita ou eternamente.

 

Para sempre, quando muito, é o nome do desejo de que o futuro repita o presente.

 

Mas nada, absolutamente nada se repete.

 

Eu mesmo, quando olho no espelho, ao me ver sou outro, pois o a viagem de ida e volta da luz do meu corpo até o vidro tem uma duração que faz, daquele que vejo refletido, alguém que já está no passado, foi, já era.

 

O tempo, o tempo! Se ficar o bicho come; se correr, o bicho pega. É assim meu amor. É assim, meu amor.

 

Pode algo existir, aí sim, para a vida toda. Vida toda é uma imitação imperfeita de para sempre. Enquanto eu viver, será assim! – posso dizer de alguma coisa. É que este “assim” jamais será tão assim, mesmo.

 

Existe a lembrança, arte da memória, que pode armazenar acontecidos por toda a vida. Pena que faça tanto comércio ilegal e contrabando com o esquecimento, total ou parcial...

 

A impermanência é o real. É preciso aceitar. Permanecer é imaginar, apenas imaginar: olhar para trás (o passado que não existe mais), para a frente (o futuro que ainda não existe) e para o agora (apertadíssimo entre o ontem e o amanhã) e afirmar: eu sou, nós somos, isto é, aquilo é. Sem essa habilidade de criar no tempo, só é possível existir, mas sem ser, assim como cão, o gato, o rato e aquele par de sapatos que me espreita, agora, no canto que não é o do galo ou do uirapuru.

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