• Valdemir Pires

Orçamento público não é sobre dinheiro

Atualizado: 18 de set.



Orçamento público não é sobre dinheiro: é sobre os sonhos de toda uma cidade, é sobre o desejo de uma cidade melhor para quem nela vive ou por ela passa; sonho organizado pelo governo e alimentado pela contribuição de todos. Não deveria ser o pesadelo em que tantas vezes é transformado.

Orçamento público não é sobre contabilidade: é sobre o futuro que se semeia no presente, com dinheiro que quem ganhou honestamente sabe o quanto lhe custou no passado e quanto lhe custa no presente. Não pode ser mera movimentação patrimonial visando ampliação do patrimônio líquido.

Orçamento público não é sobre exigências de tribunal de contas: é sobre escolhas que a cidade faz para o bem de todos; escolha feita pelo melhor cérebro coletivo que os cidadãos foram capazes de eleger para legislar e realizar. Não deveria ser fiscalizado senão pelos que nele têm interesse direto, por representar boa parte de suas possibilidades e esperanças.

Orçamento público não é sobre números e cifras: é sobre qualidade de vida para os que labutam para pagar as contas – as próprias e as públicas. Não deveria amparar compras e contratos que interessam mais a quem vende que a quem paga.

Orçamento público não é sobre negócios: é sobre pactos transparentes para garantir direitos e suprir necessidades que o dinheiro e as decisões pessoais não podem viabilizar. Não deveria ser amaldiçoado como desvio, mas estes sim, há que se evitá-los sempre.

Orçamento público não é sobre política, nem sobre economia: é sobre a arte de combinar as duas para levar flores (e não dejetos) ao altar do bem-comum. Não é sobre poesia, mas bem poderia ser, e como seria bom se fosse.






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