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  • Foto do escritorValdemir Pires

O tempo dos machões já passou


Imagem: photo nic, unsplash


O tempo dos machões já passou. Além de inútil, é feio, horripilante mesmo, o comportamento dos homens que ainda não perceberam a natureza absolutamente animalesca (selvagem é pouco para se dizer) e ridícula do machismo. Vive-se hoje outra era, embora seus não tão novos fundamentos incomodem os pretensos donos do mundo, acostumados a se acharem os tais por causa de uns centímetros a mais entre as pernas; vive-se uma era de respeito às diferenças, aí incluídas as que existem (felizmente), mais do que anatomicamente, entre homens e mulheres.     

 

Não só o tempo dos machões já passou; foi também para as calendas o tempo dos machos. Parece ter se esgotado o período de suas contribuições fundamentais ao mundo civilizado: nunca, como hoje (a não ser em fases de profundas mudanças, de transição histórica) a sensibilidade e o amor à vida (muito antes que o apego à guerra), tão característicos da mulher em geral e de uns poucos homens, além da resiliência e da capacidade em perseverar, foram tão importantes para que se possa vislumbrar um futuro desejável ou minimamente aceitável.

 

A ameaça covarde de que recentemente foi vítima a combativa vereadora Rai Almeida, em Piracicaba, em tudo semelhante à que culminou na morte da vereadora carioca Marielle Franco, é um daqueles tantos episódios da política nacional em que se vê um mesmo rosto: o do fascismo tupiniquim, de que o bolsonarismo é a corrente principal. Aliás, foi logo depois da funesta visita de seu líder à cidade que o e-mail ameaçador chegou à caixa postal da vereadora local.

 

Que machos ou machões são estes, não? Que agem à sombra, que atacam de tocaia. Que,  no fim das contas, geralmente abrem um berreiro de criança quando chamados a responder pelos seus atos. Mesmo que seu tempo ainda não houvesse passado, não seriam estes, exatamente, os melhores exemplares da espécie.

 

Rai é uma vereadora claramente posicionada à esquerda, com preocupações e iniciativas de cunho social e democráticas. Nunca precisou ameaçar ninguém (e certamente jamais lhe ocorreu fazê-lo) na sua prática parlamentar. E daí vem sua força, sua representatividade. Que não são pequenas. Por isso reagem como estão reagindo – truculentamente – alguns mascarados cujos interesses são ameaçados ou questionados pelo mandato da vereadora.

 

Que a ameaça a Rai não repita o ocorrido com Marielle não é algo que interesse somente a ela, aos seus queridos (familiares e amigos), aos seus partidários e aos seus correligionários, pois a preservação de sua vida e a defesa do seu direito de atuar ideológica e politicamente como ela age é um valor em si, patrimônio de todos. Que este tipo de ameaça receba repúdio de todos os lados, além, é claro, de medidas policiais e jurídicas cabíveis, é um imperativo.

 

Que os machistas e sua versão exacerbada (os machões), percebam que seu tempo já passou, assim como o tempo dos palhaços: palhaços nós não somos, palhaços nós não somos. Parem com este circo! – Piracicaba, assim como o Brasil, querem mais, querem projetos de futuro, querem políticos e partidos que os concebam e corram atrás de implementá-los, em diálogo aberto e franco com a sociedade. 

 

P.S. Alguém poderá questionar: “Como sabe que partiu de um homem a ameaça à Rai?” A resposta é: Com 99% de certeza, o e-mail por ela recebido foi escrito por um homem (que menciona estupro, inclusive); e se não foi, partiu de uma mulher de alma machista, coisa que infelizmente se vê por aí, comprovando que machismo não é atitude exclusiva de homens e nem só homens se arvoram a machões.


(Publicado no Diário do Engenho)

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