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  • Foto do escritorValdemir Pires

O futuro a Deus pertence?



Dizer que “O futuro a Deus pertence” é aceitar meia verdade. De fato, o que virá, o que ainda não é, foge ao controle da ação humana, mas não totalmente. E, além disso, uma parte do futuro pertence ao diabo, pois se não fosse assim, não haveria o que temer quanto ao porvir.


Uma parte do futuro é definida no presente, tanto mais quanto menos longínquo estejam os dias à frente. É possível saber com boa dose de acerto como será amanhã e a semana que vem, mas não o próximo ano e a próxima década. Isso porque os fatos seguintes estão em grande parte (no imediato e no curto prazo) e em boa parte (no médio e longo prazo) presos, amarrados aos atos e fatos atuais. Não fosse assim, viver-se-ia sem qualquer possibilidade de previsão e planejamento – o que é absolutamente impossível para o ser humano, que, em essência, é ser que prospecta e cria.


Por outro lado, uma dose de imprevisibilidade é intrínseca à vida, eivada de surpresas, boas e ruins. Felizmente! Viver é mais que existir. E é possível e desejável viver como o navegante, que não controla as marés, os ventos, as temperaturas e precipitações e nem pode evitar o ataque dos piratas ou de um animal marinho perigoso; mas que não larga o timão e a bússola e mantém disponíveis botes salva-vidas e canhões, para as circunstâncias em que se fizerem necessários.


Na medida em que é dotado de independência e de livre arbítrio, o homem tem em suas mãos um pedaço do futuro, que divide com os demais. Sendo ele, porventura, um homem de fé – que crê em algum deus – fica atento para não entregar esta sua dose de comando ao diabo: pensa e age como quem precisa e se esforça para evitar as tentações que podem lhe danar. O indivíduo desprovido de fé, por seu turno, sendo, por exemplo, hedonista, também age para no futuro não se danar, o dano, neste caso, entendido de um ponto de vista relacionado aos prazeres do corpo e aos confortos da vida e não à preservação da alma e à beatitude pós-morte.


O futuro, pois, não pertence nem ao homem, nem a Deus: ele é o jogo do tempo, de que ninguém pode fugir. Todos nascem jogando. Aliás, entram no jogo antes de nascer - desde que um espermatozóide fecunda um óvulo, podendo resultar num novo ser ou num aborto. O máximo que se pode fazer, é jogar bem, para ganhar e, na derrota, saber perder. E, claro, sem trapacear, de preferência, o que não é nada fácil.

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