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  • Foto do escritorValdemir Pires

Era junho de 2013 e...


Apenas uma lembrança: https://www.facebook.com/groups/129763133897503 (Notas no Facebook durante um momento que precisa ser compreendido em seus desdobramentos)


DOIS MOVIMENTOS DE MASSAS NAS RUAS: AS DIFERENÇAS Valdemir Pires, 2013


Eu fui um dos organizadores, em nível local, na cidade de Araras SP, do Movimento pelas Diretas-Já (1984-85). Por oportuno, dou aqui meu depoimento destacando as diferenças entre aquelas jornadas de luta e as atuais manifestações:

1. O movimento pelas Diretas-já nasceu de uma combinação da exaustão da ditadura militar com o esgotamento do modelo de desenvolvimento econômico: era preciso melhorar a política, democratizando as relações Estado-sociedade, para se buscar melhoria nas condições de vida da população, então às voltas com o desemprego, a inflação, a carestia; as atuais manifestações negam a própria política como esfera de delineamento da vida em sociedade.

2. Os protagonistas de vanguarda do movimento pelas Diretas-já eram os movimentos sociais ligados às reivindicações de bairro, sindicais, por saúde, por moradia, por reforma agrária e entidades (como OAB, ABI, CNBB, SBPC etc.) alinhadas contra a ditadura; as atuais manifestações não têm lideranças identificáveis, brotando "espontaneamente" de agitações prévias nas redes sociais.

3. Na luta por Diretas-já havia comitês por cidades e por bairros (em grandes centros) que organizavam manifestações onde se realizavam amplos comícios, precedidos de debates nos comitês; no movimento atual não há debate, mas gritos contra a situação atual.

4. Durante o movimento por Diretas-já os partidos se alinharam contra as mudanças e a favor delas, tendo que se virar para manter sua coesão interna (na ocasião o PT expulsou dois de seus pouquíssimos deputados federais se comportaram contrariamente à posição majoritária dos seus militantes); no movimento atual os partidos são recusados, ao invés de serem questionados no debate e na pressão.

5. A mobilização durante as Diretas-já foi à base do onvencimento; atualmente a adesão se dá à base de persuasão midiática e nas redes sociais, com palavras de ordem genéricas.

6. Pode-se dizer que o movimento pela Constituinte foi decorrência imediata do movimento pelas Diretas-já; não há resposta para qual tende a ser o desdobramento das atuais manifestações de rua.

7. As Diretas-já levaram muito mais pessoas às ruas e praças e durante e ao final não havia depredações, como as que estão ocorrendo atualmente.

8. O Partido dos Trabalhadores, atualmente no poder central e em vários governos estaduais e municipais, era, ao tempo das Diretas-já, um partido nanico, cujo crescimento se beneficiou não só do movimento pelas Diretas-já, mas de todos os demais dos anos 1980; não se sabe, ainda, qual será o efeito das atuais manifestações de rua sobre a configuração partidária no Brasil futuro.

9. O PT fez, ao longo dos anos 1980, oposição sistemática ao regime e aos governos de então, com base em amplo apoio social (era, como se dizia então, um partido de bases, rejeitando a condição de partido tradicional de massas); o tipo de oposição aos governos (principalmente ao governo federal petista) atualmente é muito diferente, estando a maioria dos partidos na rede enlameada do presidencialismo de coalisão e do federalismo de conveniências políticas, propensos a práticas imorais e ilegítimas, mesmo que ao abrigo das leis.

10. Havia ao tempo das Diretas-já movimentos sociais enraizados em situações sociais e posicionamentos políticos bem definidos; hoje, os "novos movimentos" respondem a apelos quase que exclusivamente emocionais, tendendo a explodir em gritos e movimentações generalistas.

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