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  • Foto do escritorValdemir Pires

Em tudo, o tempo



Em tudo, o tempo. Porque o tempo é tudo que temos. Se algo fazemos, muito mais deixamos de fazer. Porque o tempo é tudo que temos, e nada mais.


Em nada, a eternidade. Porque a eternidade é a ausência de tempo, que é tudo que jamais teremos.


Em tudo, sempre que pudermos, o todo de nosso ser e de nosso querer. Porque só assim o tempo agarra eternidade: único meio de sentir o impossível.


O tempo é tudo que temos. E o tempo é agora. Este agora que não excede a vida nem deveria ser menor que ela. Agora ou nunca. Agora que é o sempre que podemos ter, e nada mais.


O tempo é a soma dos instantes em que algo acontece. E acontecer é marcar, fazer valer, confirmar a vida. Tudo o mais é perda de tempo – destempo: é o escoar dos minutos para onde não desejamos ir ou estar.


O tempo pode ser um barco na água, levado por ela, preguiçosamente. Ou pode ser um barco de intrépido navegante, que assume o leme e maneja os remos em busca de seu destino. Que tempo é autêntico, flertando com a eternidade? Aquele do barco que um pouco se deixa levar e um pouco obedece aos desígnios do navegante – tempo de quem sabe viver, em busca do eterno retorno: retorno àquele ponto do rio em que a vida, em seu fluxo fora de controle do navegante, encontrou um momento singular da sua vida sob controle do desejo, e ambos se abraçaram, fazendo vibrar uma fibra da eternidade universal.


Em tudo, o tempo que toca a eternidade. Sempre que possível.


Que tempo é este? A resposta está no coração de cada um de nós. Procurá-la é tarefa para toda uma vida – que é o tempo que nos cabe, e nada mais.

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