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  • Foto do escritorValdemir Pires

Aplauso legislativo pela publicação de um livro! ("Imagens do tempo")

Foto: Rubens Cardia (MTB 27.118)


Além de legislar e de fiscalizar a atuação do Poder Executivo local no desempenho de suas múltiplas funções e no uso dos recursos públicos, as Câmaras de Vereadores (as Casas do Poder Legislativo Municipal, no Brasil) dão, aos ocupantes de suas cadeiras, entre outras faculdades, a oportunidade de nomear logradouros públicos, de conceder títulos de cidadãos honorários do município e de aprovar moções (de repúdio, de solidariedade, de apoio, de aplauso etc.). A iniciativa destas é individual, devendo ser aprovadas em plenário, geralmente por maioria simples.


Há situações em que a mera proposição de uma moção de repúdio ou de aplauso gera debates políticos calorosos. Isso acontece quando o proponente tem em vista marcar uma posição ou, simplesmente, polemizar (pois chamar a atenção pode acumular capital eleitoral). No mais das vezes, entretanto, as moções “passam batido”, tomando ínfimo tempo dos trabalhos legislativos, como é o caso, por exemplo, de moções favoráveis a comportamentos ou ações no campo humanitário ou filantrópico, a que ninguém se opõe, devido ao consenso favorável desses assuntos em toda a sociedade. Entre esses dois tipos de moção - polêmicas ou consensuais - ficam outras que, ao não pender nem para lá nem para cá, contêm em si um pouquinho dos aspectos de um e de outro desses lados, conforme os olhares não deflagrados nem indiferentes que sobre elas se lançam.


Surpreendeu-me, gratamente, na noite de 9/10/2023 (um dia depois de meu aniversário), a aprovação, pela Câmara dos Vereadores de Piracicaba, da moção de aplauso 182/2023: pela publicação de um livro. Sim, os edis piracicabanos aplaudiram um pequeno acontecimento cultural, não se tratando, como é o caso, da publicação de um livro técnico (evento tendente ao campo educacional ou científico), mais facilmente “aplaudível” no mundo propenso mais às soluções que aos questionamentos, debates, inquietações ou devaneios. É preciso chamar a atenção para esta especificidade do acontecimento, pois a moção em questão diz muito mais a respeito dos vereadores e vereadoras da cidade de Piracicaba do que da obra aplaudida, propriamente dita. Isso porque revela que há, naquela Casa do Povo, uma sensibilidade não só escassa, como também declinante em nossa sociedade excessivamente pragmática e fracamente leitora: uma sensibilidade que permite, entre tantas disputas e inúmeras demandas e fortes pressões, lançar o olhar sobre o esforço de um escritor (mesmo sendo ele desprovido de qualquer notoriedade ou brilho) para chamar a atenção de um tema sem maior apelo, carente do risco de “bombar” nas listas, estantes ou nas redes sociais.


Os aplausos foram iniciados pela Vereadora Raimunda Ferreira de Almeida. Foi dela a proposta da moção 182/2023. Um dos nomes emblemáticos da política local, Rai (como é carinhosamente conhecida desde jovem) se destaca pela defesa intransigente e sempre corajosa da democracia, dos direitos sociais, do respeito às minorias e às diferenças. Exercendo seu segundo mandato, depois de um longo intervalo em relação ao primeiro, Rai mantém os valores, as lutas e o vigor de sua primeira experiência como vereadora, na atual legislatura ampliando o escopo para alcançar com ênfase os temas e políticas públicas das áreas da educação, da cultura e da leitura. Sintomático, pois, que tenha sido ela a propositora do aplauso. Para honra, orgulho e alegria do do autor.


Não há como não me sentir honrado, orgulhoso (embora não merecedor) e, sobretudo, incentivado por este significativo presente (como o senti) por ocasião do meu aniversário de 60 anos, especialmente sendo eu alguém que começou a ler, de verdade, na Biblioteca Municipal Martinico Prado, de Araras, aos 12 anos, e sempre sonhou escrever, até um dia conseguir. Receber aplauso por escrever não é, para mim, presente pequeno. Fica até difícil "desembrulhar", pequeno que eu, isto sim, sou.


Muito agradecido, Rai (com sua licença para o tratamento informal). Muito agradecido, senhoras e senhores vereadores. Muito agradecido, povo de Piracicaba, por eles e elas representado. Muito agradecido!


Que alguns leitores possam apreciar meu “Imagens do Tempo” (já doado à Biblioteca Municipal Ricardo Ferraz de Arruda Pinto), assim tornando-me minimamente digno da moção de aplauso recebida, tão significativa para mim e, acredito, tão oportuna para nós todos (ao encorajar um escritor), nesse nosso novo mundo da pouca leitura, da dificuldade para refletir e até para raciocinar; nesse novo-velho-mundo dos excessivos julgamentos e condenações a priori, da busca desenfreada pelo saber-fazer-para-poder-vencer na vida, muitas vezes sem dela, e do tempo, ter noção do que sejam.


Muito agradecido!


(Leia aqui matéria sobre a moção, no site da Câmara de Vereadores de Piracicaba)

(Veja aqui o evento de entrega da moção)







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