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  • Foto do escritorValdemir Pires

A casa de papel


DOMÍNGUES, Carlos María. A casa de papel. São Paulo: Ed. Francis, 2006.

 

Livros por toda a casa, o tempo todo gasto em leituras, todo dinheiro destinado à compra de livros. Um fichário da biblioteca, enfim concluído a duras penas... incendiado!!!

 

A perda irremediável leva o bibliomaníaco Carlos Brauer a completar o ciclo de sua loucura, iniciada com a tentativa  de catalogação heterodoxa das obras que possuía. Isola-se num recanto à beira-mar de difícil acesso, conde constrói uma cabana com paredes de livros (a casa de papel).

 

À procura de um livro que havia recebido de Bluma Lennon, que ela pediu de volta, destrói sua cabana irremediavelmente. Encontra-o, devolve-o pelo correio e desaparece. O livro chega ao destino, mas Bluma não o recebe: fora atropelada enquanto lia na rua Poemas de Emily Dickinson.

 

Por trás da trama, urdida à base de títulos e autores, a vertigem causada pela percepção da efemeridade de tudo e de todos e o medo da solidão.

 

A casa de papel é uma homenagem a Joseph Conrad, que desperta a vontade de ler seu magnífico Linha de sombra. Linha de sombra? Aquela que delimita o término da fase áurea da juventude e o início do fim dela, lançando dúvidas sobre o já feito e o por fazer. A mesma dúvida de Carlos Brauer.



(Esta é uma das resenhas breves publicadas e divulgadas em emissoras de rádio pelo projeto Leia Livro, da Secretaria de Cultura do Estado de São Paulo, desenvolvido nos anos 2004-2007.)

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