• Valdemir Pires

A reforma da Previdência em pauta


O texto-base aprovado para a Reforma da Previdência Social é fruto de uma conjuntura política que mistura repugnante insensibilidade social (não se condena à miséria tão grande contingente de pessoas assim!), inaceitável espírito autoritário (faz-se de tudo para passar uma proposta impopular, aproveitando-se de um situação política em que os mais pobres não conseguem reagir) e profunda estupidez econômica: o fundamento teórico para achar que esta reforma será benéfica à economia é frágil e as evidências empíricas não existem. Características centrais da reforma: -1. dificulta o acesso às aposentadorias e pensões: considera somente a idade (não mais tempo de contribuição) e a eleva; corta pela metade as pensões e estabelece um tempo para ser solicitada; - 2. reduz dramaticamente os valores da aposentadoria ao fazer o cálculo com base em 100% do histórico de rendimentos e não em parte dele, como atualmente, considerando-se apenas os maiores valores; - 3. Retira ou reduz benefícios: abono do PIS, corte do BPC, deficientes etc.; - 4. Não ataca os principais privilégios, embora mexa nos direitos previdenciários do funcionalismo - uma classe média que empobrecerá; - 5. dificilmente terá efeito sobre o crescimento econômico, pois contribui para a redução da massa salarial (queda dos rendimentos de aposentados, dificultação de acesso aos jovens a novos empregos); - 6. talvez não resolva o problema do déficit, que tende a crescer com os trabalhadores ganhando menos (com a reforma trabalhista) ou indo para a informalidade. Quem está comemorando, além dos desinformados e/ou estúpidos? O empresariado míope, que vê nas reformas em andamento vantagens imediatas de caixa e de relacionamento sem resistências com a força de trabalho (sem ter em vista os aspectos macroeconômicos: a economia parando, ele não vende...); e o mercado financeiro, que só mira o curto prazo e as oportunidades de ganho com aplicações, não com produção e emprego. Lamentável, triste, amedrontador. O país está com os três poderes colocando o futuro fora dos trilhos: o futuro traz como grande desafio a manutenção de empregos e direitos, para que o mercado continue funcionando e a governabilidade e a coesão social não sejam ameaçadas dramaticamente.

Ouça aqui entrevista ao Podcast UNESP.

#Políticafiscal

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