• Valdemir Pires

Guerreiro Ramos: coletânea de depoimentos

Atualizado: Abr 25


Depois da leitura de Guerreiro Ramos: entre o passado e o futuro, nada mais agradável e esclarecedor, a respeito da vida de obra deste importante sociólogo das organizações (chamemos assim?) e intérprete do Brasil (podemos incluí-lo?), do que os depoimentos de brasileiros e americanos que com ele conviveram, em suas atividades na FGV e na University of Southern California (USC). Salta aos olhos, essencialmente, um intelectual original e polêmico. Cativante, segundo a maioria, inclusive para Gerald Caiden, que nele vê um equivocado e criador de caso, apreciando apenas os caquis que lhe oferecia. Outra unanimidade: o conjunto da obra guerreriana não teve, ainda, o impacto que poderia/pode ter.

Descobre-se, pelas falas, que Guerreiro Ramos se adaptou muito bem ao ambiente universitário americano, apesar de suas críticas anteriores àquele país e não obstante sua postura questionadora a respeito do conhecimento sociológico e administrativo dominante naquele momento.

Fica-se sabendo da sorte que teve este brasileiro exilado pelo regime militar, de ter encontrado e caído nas graças de Frank Sherwood, americano que o conheceu no Brasil como participante de missão patrocinada pela Usaid. Teria morrido de fome ou teria sido executado houvesse permanecido no Brasil.

Percebe-se uma coerência singular entre o homem e a obra, que não se limitou aos livros, mas a uma prática docente extremamente admirada.


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