As cidades, a incerteza e o medo em 2019

09/11/2018

 

Incerteza e medo. 2019 será um ano marcado por essas variáveis perigosas para a economia e para a política.

 

A incerteza assusta o investidor e torna a economia anêmica,  abrindo  espaço para a ação de todo tipo de especulador ou aventureiro oportunista; a maioria das pessoas, que depende de seu emprego ou pequeno negócio, não se beneficia de conjunturas com essa característica.

 

O medo deixa as pessoas transtornadas, disso resultando atitudes e decisões equivocadas, distantes do razoável, em todos os âmbitos da vida, seja no seio das famílias,  seja nos espaços públicos e coletivos de deliberação.

 

Em cidades grandes ou pequenas, a vida quotidiana passará por um teste de resistência no ano que vem. Ninguém sabe como se comportarão as economias locais e como ficarão as finanças das prefeituras. As desavenças políticas tendem a se acirrar, oposição e situação podem entrar em rota de colisão com excessiva frequência. Assim é quando as dificuldades econômicas se ampliam e as perspectivas de superação não estão no horizonte próximo.

 

Em momentos como esse, embora a tendência seja a sabedoria ser lançada janela afora, é que  mais se deve buscar com afinco a gestão pública municipal de qualidade, essa entendida como uma atuação concertada e pro-ativa da Prefeitura e da Câmara de Vereadores, com a finalidade de colocar os poderes públicos locais a serviço do enfrentamento das consequências da crise em andamento, não se sabe até quando. É exatamente quando mais acirrados tendem a estar os ânimos que a capacidade de diálogo e proposição se colocam como saídas. 

 

Em 2019, Prefeitos e Vereadores, estando no meio de seus respectivos mandatos, terão oportunidades numerosas para se afirmar como  políticos dignos de futuros mandatos, ou para revelar a insuficiência de suas ideias e ações para representar as populações locais.

 

Entre as competências e habilidades das lideranças políticas  municipais, as mais valorizadas em 2019 e nos próximos anos estão as seguintes:

 

- Apetência e competência para o diálogo, com a população (atualmente avessa à política e fragmentada em torno de identitarismos não raro exacerbados), com os pares (fortemente entrincheirados, cada qual  defendendo seus interesses com base em sua ideologia), com os órgãos e entidades das esferas superiores do federalismo (Estado e União, por sua vez na defensiva em relação aos conflitos instaurados).

 

- Capacidade propositiva, o que implica análise de situações e casos com suficiente conhecimento de causa e bastante sensibilidade para as expectativas envolvidas e riscos associados.

 

- Percepção das limitações financeiras e imposições legais às finanças públicas, acompanhada de disposição, criatividade e agilidade para buscar modos de racionalizar e maximizar o uso do dinheiro público e de destiná-lo às prioridades mais convenientes à comunidade local.

 

Foco:

 

1. no uso racional e republicano do dinheiro minguante nos cofres municipais, bem como na busca por aportes adicionais que não abusem do contribuinte,

 

2. na formulação de propostas inteligentes e de alto impacto social para solucionar os problemas,  

 

3. nas negociações coletivas de alto teor democrático para encontrar e viabilizar tais propostas.

 

Essa tríade não é erguida e sustentada com facilidade, ainda mais sob crise econômica e política -- quando, afinal, ela é ainda mais necessária --, mas sem ela o ruim pode piorar dramática e rapidamente. Os políticos valorosos que a ela se dedicarem, ainda que fracassem total ou parcialmente, estarão entre aqueles cujo valor será patenteado para o municipalismo de que o Brasil sempre precisou e em raras ocasiões teve. 

 

Por fim,  que seja sempre lembrado: é nas cidades que todos vivem, sofrem ou são felizes; é  nelas que está o maior potencial para construir, desde as bases, uma nova política, atenta e comprometida com a qualidade de vida, de trabalho e de  relacionamento de todos. A importância dos  prefeitos e vereadores reside nesse fato, além de que, aqueles que se envolverão na "grande política", para além das fronteiras municipais,  não raro se formam na província: se o bom artista é o  que sabe cantá-la, o bom político é o que sabe representá-la, em sua contradição entre o quotidiano miúdo e o que de mais nobre possa haver no cosmopolitismo.

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